22 setembro, 2017

Resenha Premiada - Mundos Paralelos: A Ponte

Título: Mundos Paralelos: A Ponte - Mundos Paralelos #1
Autora: Rosana Ouriques
Editora: Insular
Páginas: 226
Ano: 2017
Gênero: Fantasia/Romance/Literatura Nacional

Sinopse: Obra inspirada nos mitos de diversas culturas e na teoria do Multiverso, os universos paralelos.
Quatro mundos paralelos: o Mundo superior "Terra Pura", morada dos deuses-guardiões dos elementos; o mundo inferior "Terra Sombria", morada dos seres híbridos e antropomórficos, o mundo interior "Terra Sem Males", habitação dos morbitanos e o mundos paralelo "Terra da Ilusão" onde vive nossa personagem principal Angak. Uma história que pode despertar no leitor uma busca pelo sentido da vida. Essa busca é apresentada como um caminho de questionamentos e possibilidades que aquiescem com os conceitos das principais tradições religiosas da antiguidade e por considerações da atualidade. Uma leitura fascinante cheia de aventuras e fantasia.
Mundos Paralelos: A Ponte é o primeiro livro da série Mundos Paralelos. Vamos conhecer Angak, Anah, Nandecy e outros personagens que fazem parte da trama criada.

 Angak é uma jovem muito curiosa, quer sempre saber mais e se interessa pelos mistérios que envolvem os mitos e as lendas, ela está sempre procurando conhecer mais sobre outros mundos. Os avós e pais de Angak colecionavam vários artigos religiosos e quando ela resolvia mexer naqueles artefatos, ela ficava horas no porão. Ela é especial, tem o dom da segunda visão que todos acreditavam que somente os anciãos poderiam ter. As visões que ela tem a deixam confusa, nem sempre ela entende o que elas significam. A irmã de Angak é uma sacerdotisa da terra, ela cultiva todo tipo de plantas e o que mais gosta de fazer é ficar na sua estufa cuidando de todo as espécies. 

Dentro de um mesmo capítulo vamos ver o que está acontecendo no mundo de Angak e também o que se passa nos mundos paralelos, nos mundos inferior e superior. Os seres do mundo superior recebem uma mensagem, nela diz que os seres do mundo inferior estão atravessando a ponte que da acesso ao mundo dos humanos, os filhos de Asha, o guardião do fogo, é que irão atrás dos seres inferiores para impedir que eles encontrem Angak, mas  eles não conseguem impedir que os seres inferiores a encontrem.

Angak passa por momentos tristes, se sente sem força para lutar contra o que a está fazendo se sentir assim, mas com a ajuda de sua irmã Anah e Nandecy, ela começa se recuperar e logo estará pronta para as revelações que estão por vir.
⎼ Minha querida. É bem verdade que lhe fizeram mal, mas cada um de nós possui dentro de si duas naturezas: o bem e também o mal; a fraqueza e também a força. É você quem decide qual natureza estará no comando, quem será o chefe. E não esqueça: o poder pertence àquele que o deseja. Para ser forte é preciso primeiro desejar. Acreditar.
Nandecy conta algumas histórias para Angak, ela fica fascinada e nem imagina que tudo aquilo é verdadeiro, ela conta a história sobre o Deus da Terra que se transformou em mulher e que sua missão é passar um bracelete para uma pessoa muito especial, quem receber esse presente terá o dom dos quatro guardiões e Angak jamais imaginou que era ela quem receberia o bracelete, ela é a chave para algo maior, algo que ela jamais imaginou que faria parte. 
As palavras de Nandecy  lhe soaram aos ouvidos como se tivessem sido ditas a apenas uns poucos segundos: o deus do fogo faz com que a pessoa seja capaz de transformar-se em um animal ou planta, o deus do ar da à pessoa a capacidade de voar, o deus da terra concede o poder de camuflar-se ficando praticamente invisível, e o deus da água faz a pessoa tornar-se translúcida sendo possível ainda vê-la, mas impossível tocá-la ou atingi-la de qualquer forma.
A autora criou uma trama complexa que em alguns momentos eu tive que parar a leitura e organizar as ideias, pois eu me via um pouco perdida em meio aos mundos paralelos, mas isso é algo que acontece sempre comigo com tramas elaboradas dessa maneira. Angak não me conquistou de cara, confesso que achei ela um pouco fraca no início, mas conforme fui conhecendo mais da personagem fui me envolvendo um pouco mais, quem mais chamou a minha atenção foi Nandecy e quando ela revela quem é de verdade fiquei mais fascinada.

A leitura fluiu de uma forma um pouco cansativa às vezes, quando algo interessante acontecia e eu imaginava que a leitura tomaria um ritmo mais fluido, Angak começava a divagar, pensar e a filosofia de todos esses pensamentos fazia quebrar o ritmo da leitura. A editora não teve muito cuidado com a revisão, encontrei vários erros. O tempo em que se passa a história não é descrito, em alguns momentos pensei na era medieval devido algumas características citadas, mas depois me deparava com outras características que me fazia pensar que não era nada do que pensava, isso também me fez ficar um pouco perdida.  A autora me disse que o segundo livro vai ser menos filosófico que esse, com relação aos erros, ela disse que uma revisão foi feita para a segunda edição. O tempo em que se passa a trama vai ser revelado nos próximos livros, gostei que a autora falou comigo sobre esses pontos negativo, isso demonstra que ela está preparada para receber as criticas de forma positiva e fazer o que for possível para que os próximos lançamentos agradem cada vez mais os leitores.

Eu recomendo o livro independente da classificação que tenha dado, e claro que eu quero ler a continuação, pois é incrível a trama que a autora criou, quero saber o que vai acontecer com Angak e os outros personagens.


a Rafflecopter giveaway

15 setembro, 2017

Resenha - Presos que Menstruam

Título: Presos que Menstruam
Autora: Nana Queiroz
Editora: Record
Páginas: 294
Ano: 2015
Gênero: Jornalismo/Literatura Nacional
Sinopse: Carandiru feminino. A brutal vida das mulheres tratadas como homens nas prisões brasileiras.
Grande reportagem sobre o cotidiano das prisões femininas no Brasil, um tabu neste país, Nana Queiroz alcança o que é esperado do futuro do jornalismo: ao ouvir e dar voz às presas (e às famílias delas), desde os episódios que as levaram à cadeia até o cotidiano no cárcere, a autora costura e ilumina o mais completo e ambicioso panorama da vida de uma presidiária brasileira. Um livro obrigatório à compreensão de que não se pode falar da miséria do sistema carcerário brasileiro sem incorporar e discutir sua porção invisível.
Presos que menstruam, trabalho que inaugura mais um campo de investigação não idealizado sobre a feminilidade, é reportagem que cumpre o que promete desde a pancada do título: os nós da sociedade brasileira não deixarão de existir por simples ocultação – senão apenas com enfrentamento.
Já fazia um bom tempo que queria ler esse livro, já que assuntos como esse sempre chamam a minha atenção, quando comecei a leitura senti que estava entrando em mundo completamente diferente do que eu imaginava.

Nana Queiroz faz o leitor conhecer como é o dia a dia de mulheres que estão na cadeia, quais foram os seus crimes, qual a sua pena e como são tratadas enquanto estão ali. Em muitos momentos a leitura fez com que eu respirasse fundo, desse uma pausa antes de continuar e isso não acontecia por causa da escrita da autora, pelo contrario sua escrita é leve, fluida, faz a gente quer ler cada vez mais, deixa o leitor curioso, o que é pesado é o tema tratado e principalmente o que mais me chocou é como essas mulheres eram tratadas.

Sei que muitas pessoas devem ter a seguinte opinião: ah elas cometeram um crime tem mais é que apodrecer na cadeia, não devemos ver elas como vítimas, coitadinhas. Eu confesso que a minha opinião é bem diferente dessa citada, pois conforme vamos lendo e conhecendo as personagens centrais dessa história vamos percebendo que muitas vezes os crimes cometidos são efeito de um mundo no qual elas vivem. Em muitos momentos tentei me colocar no lugar delas para perceber o porquê de elas terem tomado àquelas atitudes.
 
Muitas acabam indo presas porque assumem o trabalho do marido, ou seja, a venda de drogas, o marido é preso e elas precisam de dinheiro e acabam entrando para a vida do trafico. Se coloca no lugar de uma mulher que é agredida praticamente todos os dias, será que você aguentaria isso para o resto da vida ou tentaria desesperadamente dar um fim?
Quando um homem é preso, comumente sua família continua em casa, aguardando seu regresso. Quando uma mulher é presa, a história corriqueira é: ela perde o marido e a casa, os filhos são distribuídos entre familiares e abrigos. Enquanto o homem volta para um mundo que já o espera, ela sai e tem que reconstruir seu mundo.
O tratamento que elas recebem na prisão não é nada digno para se reabilitar uma pessoa, são humilhadas, maltratadas, independente de qual crime tenha cometido, seus direitos mínimos são ignorados.

Eu não estou dizendo que elas são vítimas e tal, só acredito que um tratamento adequado traria resultados mais positivos, elas devem sim pagar por seus crimes, mas de forma digna e que isso ajude elas a voltar para a sociedade de forma reabilitada, muitas dessas mulheres nunca mais terão a chance de um futuro diferente do que era sua vida antes, muitas saem da prisão e voltam para a vida anterior.

Esse é um livro que todos deveriam ler, para ter uma visão real do que acontece nas prisões femininas, uma leitura marcante, chocante e que eu recomendo.
A mãe e o padrasto não reconheciam o esforço como mérito, mas como uma responsabilidade natural dos seres humanos. Essa história de gastar a vida na escola era uma frescura à qual nenhum deles podia se dar ao luxo. Safira internalizou aquela visão de mundo, largou a escola aos 14 anos e se convenceu de que as pessoas batalhadoras, com esforço suficiente, sempre chegariam aonde quisessem. Com ela não seria diferente.
A realidade violentou suas expectativas e sua inocência. Safira acabou procurando exatamente o tipo de homem que reproduzia o lar no qual ela tinha crescido. Na primeira vez em que ele a acertou com tapa na cara, três meses após a mudança, Safira era ainda uma menina.

De repente, como nessas iluminações de santos, se deu conta de que estava reproduzindo os passos da mãe. A rotina violenta e desrespeitosa a que sujeitava seu menino não era melhor do que a mãe lhe havia dado com o padrasto. “Eu vou embora, não quero que meu filho seja criado da mesma forma que eu”, disse para si mesma.

Com Pedro no colo, 18 anos recém-completados, sem emprego, Safira entrou em colapso emocional. Foi acolhida por uma amiga, depois outra, de casa em casa, emprego em emprego. O salário era pouco, o favor dos amigos estava sempre para acabar.

Safira passou a levantar todos os dias às 5 horas da manhã para empacotar as sacolas de compras da classe média. Embrulhava todos os dias coisas que tinha desejo de comer, biscoitos que adoraria levar para o filho. Tentava não pensar muito na água na boca ou no aperto no estômago e lembrar que os batalhadores sempre alcançavam alguma coisa — nem que fosse um pacote de bolachas recheadas.

Quinze dias depois dessa rotina, ela chegou em casa cansada e, com fome, e foi abrir os armários para cozinhar algo. Estavam vazios. As fraldas haviam acabado, o leite também. Ela ia buscar seu bebê em minutos na casa da irmã. Imaginou o choro de fome dele. Ficou nervosa, começou a tremer. Precisava de um copo de água com açúcar.

13 setembro, 2017

Resenha - Nevando em Bali

Título: Nevando em Bali
Autora: Kathryn Bonella
Editora: Geração Editorial
Páginas: 386
Ano: 2016
Gênero: Biografia/Memórias
Sinopse: “Nevando em Bali”, best-seller da escritora australiana Kathryn Bonella, é um livro raro e absorvente, que traz revelações que vão chocar os leitores interessados em jornalismo investigativo e em histórias humanas por trás dos folhetos que prometem paraísos terrestres. Jovens do mundo inteiro, entre eles surfistas sul-americanos como o brasileiro Rafael, enriquecem até o delírio na pequena e linda Bali, cujos moradores são famosos por acolher com gentis e hospitaleiros sorrisos milhões de turistas. No estilo de vida criado por esses novos playboys, o tráfico de cocaína desempenha papel fundamental. E eles poderão acabar na prisão de Kerobokan, verdadeiro inferno, ou fugir. Mas pagarão alto preço pela vida de luxo. Construído à base de relatos verdadeiros, de primeira mão, sobre esses traficantes, o livro lança a pergunta: quem será o próximo a acabar em kerobokan? Um livro indispensável.
Nevando em Bali mostra ao leitor como é feito o comércio ilegal de drogas em ilha paradisíaca. No livro vamos ver como alguns traficantes chegaram a ter fortunas inimagináveis em um momento e em outro se viram completamente sem nada. 

Eu gosto de livros que trazem histórias verdadeiras, um dos casos citados no livro eu lembrava bem de ver na televisão.

A maneira como a autora passa a história é de uma forma incrível que me deu muita vontade de ler outros livros dela, é fácil de se envolver com os personagens, pois eles são bem descritos e o livro traz um conteúdo fantástico. Em muitos momentos eu ficava pensando como uma pessoa tem coragem de fazer o que muitos faziam. Assim que a policia começou a fechar o cerco, alguns faziam coisas inimagináveis para fugir da cadeia e isso acontecia principalmente porque na Indonésia a pena de morte era empregada para traficantes de drogas.


O livro traz depoimentos de alguns personagens, o que passaram dentro da cadeia, o que faziam para diminuir suas penas e conseguir liberdade. O medo que eles sentiam cada vez que um cavalo era pego no aeroporto. Cavalo é como eram chamados os homens que eram pagos para levar a droga e quando um era pego, eles tinham medo que ele dedurasse quem era o traficante para ter uma pena menor.
A autora traz uma história extraordinária que me fez sentir naquele mundo, de repente é como se eu me visse ali num daqueles aeroportos, andando junto com os personagens, fazendo parte daqueles momentos bizarros. Muitos podem pensar que um livro informativo e descritivo como é Nevando em Bali, a leitura é cansativa, mas não é nada disso que acontece a leitura fluiu de forma rápida e envolvente. Terminei o livro e queria mais, muito mais.

Agradeço a Geração Editorial a oportunidade de ler esse livro. 
Leitura recomendada.

11 setembro, 2017

Resenha - O Espetáculo Mais Triste da Terra: O Incêndio do Gran Circo Norte-Americano

Título: O Espetáculo Mais Triste da Terra: O Incêndio do Gran Circo Norte-Americano
Autor: Mauro Ventura
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 320
Ano: 2011
Gênero: Biografia/História
Sinopse: No dia 17 de dezembro de 1961 acontecia, em Niterói, a maior tragédia circense da história e o pior incêndio com vítimas do Brasil. Mais de 3 mil espectadores, a maioria crianças, lotavam a matinê do Gran Circo Norte-Americano, anunciado como o mais famoso da América Latina, quando a trapezista Antonietta Stevanovich deu o alerta de "fogo!". Em menos de dez minutos, as chamas devoraram a lona, justamente no momento em que o principal hospital da região se encontrava fechado por falta de condições. O prefeito da cidade estabeleceu em 503 o número oficial de mortos, mas a contabilidade real nunca será conhecida. Cinquenta anos depois, o jornalista Mauro Ventura reconstitui o episódio em 'O Espetáculo Mais Triste da Terra'. Curto-circuito ou crime? Era a pergunta que todos se faziam. A polícia logo descobriu um suspeito, mas até que ponto ele era o verdadeiro culpado ou o bode expiatório ideal para dar satisfações rápidas à sociedade e encobrir possíveis falhas das autoridades e do dono do circo? Quatro meses depois da renúncia do presidente Jânio Quadros, o país chegava novamente às manchetes internacionais. O papa mandou celebrar uma missa pelas vítimas e enviou um cheque para ajudar no tratamento dos sobreviventes. O impacto da tragédia em Niterói, então capital do estado do Rio de Janeiro, foi tamanho que o assunto permanece encoberto até hoje.
O dia 17 de dezembro de 1961, um domingo, ficou marcado na história devido a tragédia ocorrida no Gran Circo Norte-Americano, a espetáculo estava quase terminando quando o alerta de fogo foi dado e o tumulto se iniciou, a maior parte da plateia era de crianças e isso é que deixou essa tragédia mais triste. Em meio ao pânico as pessoas queriam sair dali depressa, muita se separaram, muitos foram pisoteados, alguns encontraram uma saída de forma um tanto inusitada. As histórias narradas nesse livro são impressionantes e marcantes, como a da menina que perdeu a joia que tinha ganhado da mãe e voltou para dentro do circo para procurar, pois a mãe disse que ela apanharia se perdesse a joia e dali não saiu com vida.

O livro nos mostra o quanto os médicos, enfermeiros e todos os profissionais da área da saúde, se dedicaram a cuidar de todos os feridos, alguns em estado extremamente grave e com mais de 80% do corpo queimado.  Durante a leitura vamos reconhecer alguns nomes que se tornaram pessoas famosas, como o Dr. Ivo Pitanguy e Astolfo.
Entre a garotada que jogou bola naquele campo estavam o futuro maestro Eduardo Lages e o adolescente Astolfo Barroso Pinto. Mas a participação de Astolfo era eventual. Aventurava-se quando se cansava de seu lado feminino. — Para o jogo que eu quero entrar — dizia o jovem que mais tarde viraria a transformista Rogéria.
O autor apresenta os fatos ocorridos de forma não somente informativa, mas investigativa e é isso que faz a leitura se tornar tão importante. Mas o que é mais marcante mesmo são as histórias por traz dessa tragédia, vamos saber como algumas pessoas que deveriam estar no circo, por um detalhe não foram ao espetáculo e acabaram se salvando e outros que nem imaginavam ir, acabaram fazendo parte deste trágico espetáculo. 
No Instituto Médico Legal, o pediatra Israel Figueiredo identificou o corpo de uma menina pela calcinha e, desesperado, avisou um colega, José Hermínio Guasti, chefe do setor médico do Antonio Pedro: — Guasti, esta é a minha filha. Rita de Cássia Figueiredo, de quatro anos, havia sido levada ao circo pela tia e pela babá, de quinze anos, que também morreu. Mas eram tantas as vítimas que Israel não podia se permitir ficar junto à menina morta e logo seguiu para o hospital. Transformara a dor em ação, atendendo um ferido atrás do outro.
As histórias narradas pelos sobreviventes são chocantes e tristes, pois muitos deles perderam toda a família, alguns os médicos nem acreditavam que sobreviveriam. No decorrer da leitura vamos ver que um homem confessou ter colocado fogo por vingança na lona do circo, mas muitos não acreditam que ele seja realmente o autor dessa tragédia, muitos ainda acreditam que foi um acidente, que tudo aconteceu devido à instalação elétrica muito precária.

Eu sei que muitas pessoas não gostam de leituras desse gênero, principalmente quando elas narram uma tragédia tão grande, mas eu recomendo a leitura, pois ela mostra o quanto os seres humanos podem se superar em momentos como esse, vamos conhecer pessoas extraordinárias, com histórias que fazem a gente refletir, como o senhor que ficou conhecido como o Profeta Gentileza, vamos ver como as pessoas se tornam voluntárias e fazem qualquer coisa para ajudar, vamos ver médicos superar a dor da perda e fazer de tudo para salvar vidas.
Lenir Ferreira de Queiroz Siqueira
Apesar de tudo o que passou, ela acha que existem dois caminhos: o da lamentação e o do sorriso. Optou pelo segundo.
— Tenho que falar bobagem para os outros rirem — diz Lenir, que perdeu o marido, Wilson, e os filhos, Regina e Roberto, na tragédia.
Maria José do Nascimento Vasconcelos (Zezé)
Após tomar até seis injeções por dia para combater infecções, a menina da cidade de Rio Bonito que escapou correndo atrás da elefanta Semba carregaria pelo resto da vida o trauma das agulhas, a ponto de não conseguir fazer acupuntura. Nunca fez uma plástica, apesar das cicatrizes. Não teve coragem de operar. Depois de sair do hospital, costumava desmaiar.
Um médico chamou minha mãe e disse: “Olha, sua filha vai ter um problema para toda a vida. Ela passou a sofrer de uma doença chamada epilepsia adquirida”.
A própria professora chamava minha mãe e dizia: “Sua filha desmaiou. Não sei se isso pega. As crianças estão constrangidas, as mães estão fazendo pressão, a senhora tem que entender”. Fomos punidos primeiro pela tragédia, depois pelo preconceito e pelo abandono. Foi cada um por si — diz ela, que superou os problemas e há vinte anos não tem mais desmaios. Mas, como muitos sobreviventes, nunca voltou a um circo.
Luiz Gomes da Silva
Apesar da imobilidade dos dedos da mão esquerda, tornou-se um exímio fotógrafo, por sugestão do cirurgião plástico Jacy Conti Alvarenga. Trabalhou, entre outros lugares, na Secretaria de Educação do recém-criado estado do Rio. Apresentou-se ao jornalista Orivaldo Perin, então assessor de comunicação da secretária Myrthes de Luca Wenzel, autodenominando-se, como de hábito, Luiz Churrasquinho. Constrangido, Perin disse: — Você aqui é Luiz ou Luizinho. E encerrou com a história do apelido. Mais tarde, Luiz foi da assessoria de imprensa de Leonel Brizola nas duas administrações. O governador o considerava um grande fotógrafo. Após perguntar a ele a razão das queimaduras, Brizola passou a só chamá-lo de Pinga-Fogo. Luiz não se importava. O apelido não pegou. O nome Luizinho já estava consolidado.